Posts in Category: Blog

Órbita a Plutão Anão, numa BMX. Com o E.T.

Casa vazia, tempo nas mãos. Um luxo nos dias que correm. Um luxo ao qual já não estou habituado – e nem convém habituar, visto ser apenas um pequeno devaneio naquela que é uma rotina bem oleada de uma jovem família (a resumir já de seguida).

Por entre esses minutos a mais com que o meu dia foi abençoado, tive a oportunidade de ver e beber o Stranger Things – qual love letter a todos aqueles filmes que fazem parte do meu imaginário infantil da década de oitenta e pelos quais nutro imenso carinho. E tive tempo de me re-inspirar naquele mundo de neons, BMX e sintetizadores. God damn.

Tive também oportunidade de voltar a tirar o pó a Plutão Anão, a fazê-lo rodar pela segunda vez em dois anos. O resultado está aqui. O cartaz, qual eighties movie, está ali. Façam boa viagem.

O meu jingle favorito do Plutão Anão é do meu filho. Naturalmente.

Big, big smile. Gravado ontém. Um sonho, simples, tornado realidade.

That’s my boy.

Árvore de cimento

ricjoorg_verao2014-348

Até àquele ponto, luz trazes. E daquele ponto adiante, luz levas. Uma árvore de cimento por entre oliveiras, vinhas, feijão e batatas. Desde sempre presente na limitada linha do horizonte do quintal de trás do Nº25 da Estrada da Figueirinha.

Farewell, Classic

ipod-classic-f

Imagem de Jim Merithew/WIRED.

So, Apple have pulled the plug on the iPod Classic. Com o advento do iPhone 6 e dos touch-screen em geral, os dias estavam contados para o aparelho que transformou o modo como o mundo escutava e – mais importante ainda – consumia música. O iPod Classic do qual sou dono – verão de 80Gb – vai fazer em Dezembro sete anos. Mais do que o meu primeiro Walkman, que rodava horas sem fim as minhas cassetes de Michael Jackson (primeiro) e Pearl Jam & Nirvana (depois) e mais do que o meu Discman, que rodou horas a fio CDs da minha colecção que maioritariamente habitavam em casa dos meus Pais, distando 300Km de onde eu estudava, mas que selectivamente me acompanhavam nas viagens de mais de três horas até Braga na Rede Expressos – mais do que esses monstros sagrados da minha vida e mais inclusivamente do que o meu leitor de vinil, o meu iPod tem sido o meu maior e mais valioso amigo desde que tivemos o prazer de nos conhecermos numa noite invernosa Londrina. E ele não tem defeitos. Ou melhor, só tem um defeito: não lê ficheiros áudio de alta-resolução (FLACs, por exemplo). Mas até esse defeito é tecnicamente ultrapassável. O meu iPod nunca me falhou e permitiu-me desde do primeiro dia andar com a banda sonora – toda – da minha vida atrás de mim. E a palavra chave aqui é mesmo essa: toda. Dada a sua grande capacidade de armazenamento, durante anos pude partilhar com o meu iPod toda a música que me importava. Ele tinha espaço para tudo. E estivesse virado para a melancolia, tinha ali ao clique de um dedo o álbum ideal para me acompanhar naquele momento. Ou se estivesse numa de nostalgia de determinadas noites de verão da adolescência, podia recorrer novamente ao meu amigo Classic e sacar de lá aqueles temas que cobriram determinados tempos da minha vida com acordes que passariam a ressoar para sempre no eco dos meus pensamentos. Tive sempre à mão todo e qualquer tema de que necessitava, quando o necessitava.

Na essência, o luxo de poder andar com toda a minha discoteca no bolso – e aqui friso bem a palavra minha; não a da cloud; não a de um qualquer algoritmo de um serviço de streaming – acaba agora de ser confirmado mesmo como tal: um luxo. Com a morte do iPod Classic e o advento dos serviços de streaming, ser dono e arquivador dos teus próprios ficheiros áudios acaba por ser resignado ao mesmo destino que o formato físico de música que, ironicamente, o próprio ficheiro áudio um dia matou (not quite, but almost). It’s evolution baby.

Mas tal como não somos obrigados a resignarmos e aceitarmos o destino (ou circunstâncias sociais, ou karma ou como lhe queiram chamar) que a vida nos reserva, também não somos todos obrigados a seguir as pisadas que a Apple e demais gigantes da web nos querem impingir. A maioria seguirá o pastor. Outros entrarão em devaneios e prosseguirão o seu caminho próprio. Sempre foi e sempre será o caso em qualquer aspecto da vida. Pessoalmente, faço intenções de pertencer ao segundo grupo. E nesse sentido, declaro-me como ovelha que fará para estar atento ao rumo que o Pastor profecia, mas escolhendo sempre o meu próprio caminho. E como tal, um iPod Classic de 160GB já foi encomendado, pago e segue rumo a casa, no momento em que escrevo estas linhas. E poucos já há disponíveis ao preço de origem. Aliás, ao PRVP no UK, já não os há. E até o toblerone do Mr. Neil Young me convencer otherwise, com os meus dois meninos iPod Classic, estou servido para – seguramente – ter o destino da minha discoteca digital nas mãos para os próximos dez a quinze anos. Tempo suficiente para me convencerem que deva proceder de outra forma.

Até lá, farewell Classic.

Os Titãs

[split_gallery class=”set_1_columns os_titas” size=”full” columns=”1″ show=”1-100″]

Fantástico, o som daqueles a quem foi dado o cognome de Shadows Portugueses: Os Titãs, da cidade do Porto. E mais fantástico ainda, as sleeves dos seus dois primeiros sete polegadas, do início da década de sessenta – dificílimos de encontrar, se bem que já tenho uma cópia do EP de estreia (finalmente) debaixo de olho e pronto a ser meu, hopfeully. Enquanto isso, há que apreciar estas beldades via as suas versões de zeros e uns. Ler sobre Os Titãs. Ouvir Os Titãs. Já tinha rodado Os Titãs há uns anos, num Plutão Anão.

Dois de Junho

Eis a data de lançamento dos primeiros três álbuns dos Led Zeppelin remasterizados e em versão expandida de luxo com material raro. Finalmente.

Dare I say, I have found my birthday present(s).

Peter Green

peter green

You, Sir, are – undoubtedly – my favourite guitar player of all time. The way you make your guitar sing beautifully in such a discreet and toned-down manner is, in itself, a personification of exquisite taste. How I long to hear you play on my turntable, dear Sir. Oh, how I do.

O Lyrebird

Antes de mais, vamos aos factos:

Facto um: não sou um devoto de pássaros;

Facto dois: sou um enorme devoto de captação de sons;

Posto isto, estive a escutar um programa de rádio da BBC Radio 4 há dias intitulado ‘David Attenborough: My Life In Sound’ (desconheço se funciona em Portugal), que viaja pela carreira de capatação de áudio de David Attenborough ao longo dos anos, nomeadamente – mas não só – de pássaros.

Não sendo, como já admitido em cima, um grande aficcionado de pássaros e estando altamente interessado na conversa exclusivamente pelo seu teor
técncio, acabei por ficar fascinado prescisamente com um senhor pássaro referido e reproduzido na conversa, de seu nome Lyrebird (desconheço
como se chamará em Português). E porque jamais conseguiria descrever por palavras ou por qualquer outra forma a brilhante performance desta
espécie, nem vou tentar fazê-lo. Peço-vos apenas para carregarem no Play e escutarem os seguintes dois minutos e três segundos.

The early bird catches the worm

E assim foi, desta feita comigo. Por ocasião do lançamento do segundo longa-duração dos Portugueses You Can’t Win, Charlie Brown – ‘Diffraction/Refraction‘ por estes últimos dias, dirigi-me na noite de Sábado à loja online da editora da banda – Pataca Discos – sabendo desde já que entretanto a loja deles já teria sido posto em funcionamento. Lá fiz a minha compra, com envio directo para Londres e transacção directa, sem intermediários – serviço nice & simple, com pagamento Paypal (algo, inacreditavelmente, ainda pouco comum em sites Portugueses).

E eis que hoje recebo da Pataca Discos o seguinte email, com um sorriso nos lábios, diga-se:

Pataca

Sweet.

Boas

Que o Natal tenha sido feliz e as entradas boas. Estas festas de dois mil e treze foram mais temperadas e menos intensas, por razões que não vale a pena agora descrever. E como tal, nem me lembrei de vir aqui fazer a referência anual. Que o final de dois mil e quatorze traga mais razões e vontade de festejar.

Apesar de tudo, sou um pai imensamente feliz. Tinha que partilhar.

Aningaaq

Sei que não é novidade nenhuma e que já venho com mais de um mês de atraso, mas não me importo.

Só ontem tive a oportunidade de ver o sublime filme ‘Gravity’ de Alfonso Cuarón, com Sandra Bullock no papel principal. E por isso apenas publico aqui hoje este outro lado do puzzle – uma curta metragem de Jonas Cuarón, filho de Alfonso, que complementa uma das cenas de ‘Gravity’.

Não sou crítico de cinema e nem vou tentar sê-lo esta noite. Sei que o filme tem fraquezas. A personagem de Clooney é totalmente irrealista, assim como alguns dos traços psicológicos da personagem de Bullock, que certamente sendo no mundo real, nunca teria passado os teste psicotécnicos para integrar qualquer programa espacial que não um que permanecesse apenas com os pés bem assentes na Terra. Os outros três personagens que faziam parte da sua equipa nem sequer para o filme foram chamados e como tal, nem cinco minutos totais do filme foram despendidos na sua caracterização. O que é fraco. E as frases clichés tipicamente americanas proferidas pelo filme a fora são de muito mau tom.

Mas o filme é fantástico. Soberbo. Fenomenal. Incrível. Para um amante do espaço, será por ventura o mais próximo e realista, confirmado pelo próprio senhor Chris Hadfield – o Bowie Canadiano, do espaço que um simples Terráqueo poderá alguma vez experienciar. Daqueles filmes que com certeza inspirará imensas crianças um dia a serem elas próprias astronautas. Tomara eu ter tido a oportunidade de viver tal filme inspirador aquando dos meus sete ou oito anos de idade. Este ‘Gravity’ deixa a anos luz um documentário em 3D que em anos passados vi no Museu de Ciência de Londres, com imagens captadas pelos próprios astronautas na Estação Internacional Espacial. Não tem sequer a mínima comparação. Aqui, o fictício não dá qualquer hipótese ao real, contrariando toda a lógica e raciocínio.

Se este filme ainda estiver em rodagem num cinema perto de vocês e em 3D, façam um favor a vós próprios e vão passear até ao Espaço por noventa e um minutos.

‘Legendary Tigerman Live at ZDB’ oferecido pela Blitz

A próxima edição da Blitz, a sair esta sexta-feira 20 de Dezembro, trará consigo um belíssimo acompanhante: ‘Legendary Tigerman Live at ZDB’ – um álbum ao vivo em formato CD que passa pela útlima passagem de Paulo Furtado por aquele espaço Lisbonense por altura dos seus já tradicionais concertos de noite de Natal. É uma excelente iniciativa por parte da Blitz, que já na década passada se tinha aventurado em algo semelhante, ao ter sido o veiculo de lançamento, distribuição e edição de um trabalho também de Tigerman (para além de outros artistas e singles – Tiago Bettencourt, por exemplo). Numa altura em que o formato físico de publicações periodicos, assim como de álbuns, se põe totalmente em causa, não deixa de me causar um sorriso ao ver estes dois formatos resistentes e supostamente condenados distribuidos assim de uma assentada só.

Critique-se o que se quiser a Blitz – até porque há razões justas para o fazer em algumas circunstâncias – a verdade é que esta continua a ser o único veiculo de informação sobre o panorama musical Nacional largamente disponível dentro e fora de portas, reflexão sobre a qual me dedicarei daqui a uns dias em mais pormenor.

No entretanto, é de aproveitar esta belíssima oferenda a sair na próxima sexta-feira, mesmo, mesmo a tempo de nos acompanhar neste Natal.

A capa da ‘Revista’ deste fds é do Vhils

E é para se rasgar. So says the man himself. Assim como possivelmente as próximas três capas, que também serão de sua autoria.

Documentários Audio BBC

É assim que se faz a coisa. A BBC Radio 4 está a disponibilizar o seu back-catalogue de imensos documentários / reportagens de música produzidos ao longo dos últimos cinquenta anos. Podem ser todos encontrados neste link, embora não tenha a certeza de que estejam disponíveis a IPs localizados fora do Reino Unido. De qualquer das formas, como taster, deixo aqui uma cópia do documentário ‘For One Night Only – The Who, Live At Leeds’ do meu servidor, portanto disponível a qualquer pessoa em Portugal. Se por ventura alguém estiver interessado em escutar qualquer um dos outros episódios e não o poder fazer via Portugal, contactem-me que terei todo o prazer em disponibilizar um programa.

[ficheiro entretanto removido. caso o queiram, contactem-me]

O documentário em cima dos The Who é um trabalho quase perfeito de reportagem da BBC – tem todos os elementos necessários: perspectiva dos organizadores do evento, perspectiva de quem assistiu ao concerto dos The Who, perspectiva daqueles que embora não estando no concerto em si, estavam nas imediações do local (nalguns casos literalmente em cima do local) e que tinham um papel activo na sociedade jovem daquele tempo, perspectiva de Pete Townhsend himself (guitarrista da banda) e, finalmente, um sem-número de informações até então desconhecidos que complementam a história e o mito. Mas melhor do que tentar descrever, é mesmo escutar o programa. E escutar o álbum que o concerto originou. É um sublime, sublime, sublime álbum ao vivo – ‘The Who – Live at Leeds’.

Christmas come early

Há uns meses um colega meu do trabalho que está a cerca de cinco anos de se reformar, sabendo da minha paixão por discos, confidenciou-me que tinha perdido lá por casa restos da sua colecção de juventude, algo no qual ele já não tocara já há mais de vinte e cinco anos. Quando lhe questionei sobre alguns dos nomes das bandas que compunham a sua colecção, prontamente me ofereci para lhe pegar naquilo. Fosse em que estado que fosse. E assim sendo, certo dia de semana, fui até à mala do seu automóvel e ele entregou-me em mãos um sem-número de discos. Prontamente passei as dedos por aquilo e os nomes que me iam sendo projectados nos olhos deixaram-me com um enorme sorriso nos lábios: Led Zeppelin, The Beatles, Neil Young, Cream e Crosby, Stills, Nash & Young. Tudo primeira ou segunda prensagem, viajando no tempo directamente para as minhas mãos, vindo dos anos sessenta e setenta.

Desde então que tenho andado, lentamente, a limpar os discos. E hoje, com mulher e filho fora de casa durante a tarde, comecei a rodar os discos pela primeira vez. Neste momento roda o ‘The Needle and the Damage Done’ do álbum ‘Harvest’ de Neil Young. Damn, damn good. Só falta mesmo o copo de vinho tinto.

Em cima figuram alguns dos espécimenes que me foram entregues. Há gente com sorte.

Portugal Eléctrico